quarta-feira, 8 de abril de 2015
Exercício Físico e química cerebral
A relação entre a prática de exercícios e as alterações de humor e comportamento está cada vez mais comprovada pela ciência. Do ponto de vista terapêutico, a indicação de exercícios físicos como parte do tratamento de certas formas de depressão e de outros problemas psicológicos, já faz parte de um consenso dos profissionais da área. A comprovação científica, e portanto as bases bioquímicas das alterações de humor relacionadas aos exercícios físicos, tem sua explicação através de mediadores químicos cerebrais, cujo metabolismo e controle de produção são regulados durante e após a realização de atividades físicas.
O mais conhecido desses mediadores químicos cerebrais é a beta-endorfina. A relação entre esta substância e a sensação de bem-estar provocada pela realização de exercícios já é até do conhecimento popular. A beta-endorfina é na realidade uma molécula formada por 31 amino-ácidos, produzida em uma área do cérebro chamada glândula pituitária. Uma vez liberada na circulação, aparece aumentada no sangue, o que pode ser então detectado. Seus outros efeitos além daquela sensação de bem-estar que provoca ainda não são bem conhecidos, sabendo-se, entretanto, que ela também controla o uso dos açúcares pelo organismo.
A endorfina na mulher
Alguns estudos científicos recentes têm mostrado existir uma relação entre a endorfina e o ciclo menstrual na mulher. O curioso é que parece existir a necessidade de um nível ideal de endorfina durante o repouso. Esse nível a ser mantido vai ser regulado pela prática constante de exercícios. A falta de exercícios físicos poderia estar associada com problemas de irregularidades menstruais, inclusive com os tão indesejáveis sintomas da "Tensão Pré-Menstrual" (TPM) na mulher.
Quando a mulher é ativa, aumentam os níveis de endorfina em repouso, e tal substância teria a função também de regular o ciclo menstrual, bem como atenuar os sintomas da TPM. Entretanto, quando a atividade física passa a exceder os limites adequados, ou seja, quando a mulher exagera na prática de exercícios, níveis muito elevados de endorfina poderão ter efeitos adversos chegando inclusive a inibir o ciclo menstrual, suspendendo a menstruação.
A endorfina no homem
Também o organismo masculino tem funções reguladas pela produção de endorfina, sendo porém ainda menos conhecidas que na mulher. Sabe-se, entretanto, que quando um homem e uma mulher fazem a mesma intensidade de exercícios, o homem produz mais endorfina que a mulher. O significado funcional deste fato ainda não é conhecido.
Quais os exercícios que liberam endorfina?
O conhecimento atual nos permite associar a liberação de endorfina com os exercícios moderados (60 a 80% da capacidade máxima) realizados durante períodos de 40 a 60 minutos ou mais. Na realidade, não importa a natureza da atividade, desde que ela possa ter predominantemente a característica de exercícios aeróbios, como andar, pedalar, nadar, dançar etc. Mesmo os exercícios de natureza intervalada, como o futebol, o tênis, o basquete e outros, também liberam endorfina e trazem benefícios de bem-estar e equilíbrio emocional. De tal forma esses efeitos são comprovados, que certamente podemos dizer: está de mau humor? Faça exercício que passa!
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